agosto 31, 2025
Computador biológico CL1 da Cortical Labs com design verde e branco, equipado com neurônios humanos

O CL1 é o primeiro computador biológico comercial, utilizando cerca de 800 mil neurônios humanos para processar dados.

A tecnologia acaba de dar um passo impressionante rumo ao futuro: um computador biológico alimentado por neurônios humanos já está disponível comercialmente. Lançado pela startup australiana Cortical Labs, o modelo CL1 une biologia e silício em um sistema capaz de aprender como um cérebro de verdade. E sim, ele já está à venda por US$ 35 mil.

O que é o CL1?

O CL1 é o primeiro computador biológico comercial do mundo. Em vez de usar apenas circuitos digitais, ele funciona com cerca de 800 mil neurônios humanos cultivados em laboratório. Essas células nervosas são obtidas a partir de células-tronco derivadas da pele ou do sangue e colocadas sobre um chip com centenas de eletrodos.

Esses neurônios formam uma rede viva que interage com o sistema digital. O dispositivo é do tamanho de uma caixa de sapatos e conta com um conjunto de suporte vital que garante a sobrevivência e o funcionamento da rede neural por até seis meses.

Como esse computador funciona?

O CL1 roda um sistema operacional especial chamado biOS (Biological Intelligence Operating System). Esse sistema cria um ambiente virtual que envia impulsos elétricos aos neurônios vivos, que respondem como se estivessem interagindo com o mundo real.

Essas respostas são interpretadas pelo sistema digital, permitindo aprendizado em tempo real. O protótipo inicial, chamado DishBrain, conseguiu aprender a jogar o clássico “Pong”, apenas com estímulos e respostas biológicas.

Quanto custa o CL1?

O computador biológico CL1 custa US$ 35 mil (cerca de R$ 189 mil). No entanto, a Cortical Labs também oferece um serviço chamado Wetware-as-a-Service, que permite o acesso remoto à tecnologia por assinatura.

Nesse modelo, pesquisadores podem acessar a plataforma por cerca de US$ 300 por semana, sem precisar manter os equipamentos fisicamente. Essa opção é ideal para universidades, laboratórios e startups que querem experimentar a nova tecnologia sem o custo integral.

Aplicações práticas

O CL1 tem enorme potencial em áreas como:

  • Neurociência: para estudar como os neurônios aprendem e se conectam.
  • Desenvolvimento de medicamentos: testando como o “mini-cérebro” reage a compostos.
  • Modelagem de doenças neurológicas: como Alzheimer, epilepsia e Parkinson.
  • IA com baixo consumo de energia: usando redes biológicas em tarefas específicas.

Em testes recentes, pesquisadores conseguiram simular redes com epilepsia e observaram como os neurônios reagiram a diferentes fármacos, oferecendo dados precisos para novos tratamentos.

Desafios e questões éticas

Apesar das promessas, o uso de neurônios humanos levanta debates éticos importantes. Segundo os cientistas da Cortical Labs, os neurônios não têm consciência, mas são capazes de aprender, se adaptar e responder a estímulos.

Outro desafio é a vida útil limitada dos neurônios — atualmente, cada cultura dura cerca de seis meses. Além disso, transferir “memórias” de uma cultura para outra ainda é um obstáculo técnico.

O futuro da computação biológica

O lançamento do CL1 marca o início de uma nova era na computação. Ao unir biologia e tecnologia, ele mostra que é possível criar máquinas que aprendem como seres vivos, com potencial revolucionário para medicina, ciência e inteligência artificial.

Por enquanto, o CL1 está nas mãos de pesquisadores e empresas, mas não seria surpresa se, no futuro, versões dessa tecnologia chegarem a universidades, hospitais — e talvez até às nossas casas.

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